Páginas

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Skynet não precisa de mapeamento cultural


Já pensou uma escola onde os alunos, todos enfileirados, todos com as mesmas capacidades, conhecimentos sistemáticos, aprendessem da mesma forma? Até parece que isso foi imaginado pela banda britânica Pink Floyd na música Another Brick In The Wall. Ou será que essa situação é de um futuro não tão distante onde a Skynet (Filme Exterminador do Futuro) dominou o mundo e agora os alunos são todos como robôs? Louco né?
Na verdade, essa situação está bem distante, uma vez que, somos indivíduos diferentes em vários aspectos, inseridos em uma cultura, numa piscina de culturas. Sendo assim, seria complexo em pensar numa prática pedagógica cultural.
Por isso, é muito importante para o profissional que trabalha com educação (no caso desse blog, os professores de Educação Física), realizar um mapeamento!
Gonzalez e Fensterseifer afirmam que a aula de Educação Física é um "acontecimento" e seu planejamento é muito relevante, porém a aula ainda pode surpreender. E a elaboração do planejamento exige uma série de investigações que seja capaz de revelar quais manifestações culturais ocorrem no ambiente escolar e fora dele. E, a partir do mapeamento cultural, o professor pode decidir qual tema será abordado nas aulas e fazer a problematização dessa manifestação ao possibilitar aos alunos instrumentos de identificação dos processos de formação e transformação das práticas culturais. 
Ao pensar nas teorias de autores como Vigotsky, em que o indivíduo é um ser cultural, constituído pela cultura que o permeia e, nas obras de Durkheim, observamos que nada escapa das interações sociais. Azanha também concorda com isso ao afirmar que a escola é uma instituição possuidora de uma cultura específica e com certo grau de autonomia. Portanto, podemos observar que a escola é um espaço que desafia todos indivíduos que são diferentes. E eles são introduzidos em uma “sopa cultural”, em que tentam resistir à cultura dominante. Enfim, nessa situação caótica, o planejamento perpassa pela investigação essencial desse meio, ou seja, o mapeamento cultural.
Por fim, nós, professores de educação física, estaremos contribuindo para que nossos alunos modifiquem suas representações quanto às praticas corporais ao propor um currículo cultural dos temas a serem abordados em aula, em que haja a problematização dos assuntos a serem estudados.

Até a próxima pessoal!!!


terça-feira, 25 de outubro de 2016

Dominação Cultural

O formato de sociedade sofreu modificações no decorrer do tempo, e com isso a ideia de escola também sofreu com essas mudanças. Até 1700 anos o pensamento era centrado em Deus, o Rei tinha o poder soberano e a escola tinha o papel de ensinar filosofia e teologia para as altas camadas dessa sociedade, e, ofícios para o que podemos chamar de povo. A partir das revoluções (burguesas), se constrói uma autonomia nos indivíduos trazendo a razão para o homem ao colocá-lo no centro, com isso, a escola se torna para todos, preparando a população para uso dessa razão e que o interesse pela racionalidade seja igual entre todos. Só na modernidade, com o conceito de cultura de massa, o poder se encontra nas relações em que se constrói conteúdos que serão trabalhados na escola por meio de algum interesse, onde observamos, muitas vezes, serem desconsideradas as construções de currículo que atendam às necessidades específicas. Respeitando assim, a cultura em que os alunos estão inseridos, deixando-se colonizar com uma imposição de métodos e técnicas que serão utilizados (se deixando dominar por uma cultura hegemônica).



Cabe aos profissionais da educação não se deixarem levar por essa dominação, e fazer uso de ferramentas que podem dar um norte às suas aulas, para se mapear, ressinificar, ampliar e aprofundar os conhecimentos, e, então, criar formas diferenciadas de se trabalhar os conteúdos em aula.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Por que o Flash é o Flash e não o Flash Reverso?


Olá pessoas, hoje trataremos do tema: Educação Física na área de Códigos e Linguagens. Começaremos com uma pergunta bem simples, o que faz o Flash ser o Flash e não o Flash Reverso? Você deve ser estar pensando, "Oras, o Flash Reverso é um vilão e o Flash é o herói!", mas a resposta é bem mais simples. O Flash é o Flash simplesmente porque ele NÃO É o Flash Reverso e nem um outro herói além do próprio Flash.


O que faz com que reconheçamos o Flash como ele mesmo são as organizações dos signos (não, não os signos do zodíaco...). Os signos são usados no lugar das coisas para representá-las, ou seja, representam o objeto do qual a linguagem "fala". Eles também estabelecem significados que são estabelecidos socialmente e significantes que são "a coisa da qual se fala" em si. Os signos geram identidades e diferenças, e, essas organizações denominam (através da imposição cultural) o sistema de representações que viabilizam a comunicação. Assim, o significado das coisas são construídos pelo sistema de representação, que é construído através de um código.
O código é o que estabelece uma correlação entre o nosso sistema de conceitual e o nosso sistema de linguagem, dessa forma, quando pensamos no Flash, a imagem do próprio Flash nos virá à cabeça e não a do Flash Reverso.
OK, mas e a Educação Física? O que ela tem a ver com essa história de signos, códigos e afins?
Bom, a Educação Física está inserida na área de Códigos e Linguagens devido ao fato de que nas aulas os alunos reproduzem/produzem os códigos de linguagem que o professor utiliza em suas atividades. Como por exemplo em uma aula de vôlei, que, como tantos outros esportes, tem seus gestos técnicos específicos, no simples ato de se fazer um "ataque" devemos pensar que esse gesto não é simplesmente um gesto qualquer, mas sim um gesto cheio de significados e códigos, que para os praticantes dessa modalidade são essenciais.
Até o próximo tema!!!


sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Ensino Propedêutico x Ensino Profissionalizante

Olá pessoas,

Hoje nós iremos discutir, um pouco, as questões sobre as alterações que o Ensino Médio vem sofrendo ao longo do tempo. Abordando principalmente questões relacionadas ao seu papel na sociedade e questões sobre o currículo. Para isso fizemos uma linha do tempo para exemplificar como esse processo aconteceu, desde o Brasil Império até o ano atual que foi lançada a MP 746 .

Muitas mudanças ocorreram na estrutura do Ensino Médio no decorrer do tempo, ou seja, houve desde mudanças que modificaram toda sua estrutura de forma geral até em pontos específicos, como a extinção da obrigatoriedade da profissionalização no ensino e a alteração da carga horária.
Como podemos notar, a partir da imagem acima, a discussão acerca do ensino médio sempre esteve atrelada ao dualismo ensino propedêutico e ensino profissionalizante. Cada um desses com seus objetivos e currículos a serem seguidos.
O ensino propedêutico visa preparar os alunos para o ingresso no ensino superior a partir da consolidação e aprofundamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental, de modo que, o estudante possa progredir nos seus estudos. O ensino profissionalizante, por sua vez, busca qualificar os alunos para o mercado de trabalho, ao desenvolver habilidades e proporcionar o conhecimento teórico e prático de uma função/profissão específica.
Da mesma forma que os objetivos divergem entre os tipos de ensino, não seria diferente quanto ao currículo. Diante da necessidade de desenvolver habilidades específicas, de formar um indivíduo com grande conhecimento numa área específica, o currículo do ensino profissionalizante é pensado para consolidar tais objetivos, isto é,  aplicar o ensinamento de princípios gerais e científicos de uma área específica, ao mesmo tempo que também ensina a parte prática. Já o currículo de ensino propedêutico, visa desenvolver alunos que tenham um conhecimento amplo e básico sobre vários assuntos e áreas. A especificidade do que irá aprender, nesse caso, acontecerá por meio da escolha do curso no ensino superior.
Algumas das modificações propostas pela MP 746 são:  flexibilização do currículo do ensino médio, aumentando a carga horária de 800 horas para 1.400 horas/ano e ainda exclui a obrigatoriedade de algumas matérias como Sociologia, Filosofia, Artes e a Educação Física.
E vocês? Queremos saber qual a sua opinião sobre essas mudanças na estrutura do Ensino Médio e principalmente o que vocês pensam sobre as modificações propostas pela MP 746.
Até a próxima!!!

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Concepção de identidade do sujeito pós moderno

        
        Hoje decidimos compartilhar algumas reflexões que fizemos a partir do texto “Os Estudos Culturais e o ensino da Educação Física” de Mário Luiz Ferrari Nunes e Marcos Garcia Neira. Esperamos que gostem!
            A cultura, que regula normativamente nossas ações, vem sofrendo influência dos processos de globalização. Assim, é interessante compreender as relações que ocorrem entre os sujeitos e o modo como eles são definidos e marcados com rótulos.
           Aqui vamos tratar a concepção da identidade do sujeito pós-moderno. Identidade essa que se refere às condições da sociedade em que vivemos. Essas condições criam novas formas de representação, novos grupos identitários e valores totalmente diferentes das estruturas sociais anteriormente estabelecidas. E isso está em constante mudança. Nesse novo modelo de sociedade, não há um espaço a um único valor para todos, mas existe múltiplos grupos com valores que estão em constante disputa nos processos de significação ocorridos nas relações de poder.
       Além disso, a identidade do sujeito pós-moderno é contraditória e múltipla, ou seja, ele é composto por múltiplas identidades – de gênero, raça, nacionalidade, classe, etc. E todas essa identidades são variáveis, quer dizer, ele é transformado pelas influências culturais da sociedade em que está inserido. Por isso, podemos compreender a identidade como fruto da linguagem e dos processos que tentam determiná-la, ou seja, torná-la uma norma. Desse modo, ao normatizar um modo de ser e não outro dentro de um grupo cultural, cria-se o conceito de diferença, isto é, a identidade só pode existir, se houver a condição de diferença.
           A construção de uma identidade está sempre em processo de diferenciação linguística que define seus significados. E esses processos de significação são decorrentes de lutas entre grupos que tentam estabelecer os significados do que está em jogo. Por isso, podemos dizer que a identidade e a diferença estão sujeitas às relações de poder expressas em ações que oprimem certa parcela de indivíduos e grupos, o que pode resultar no seu silêncio. Além disso, as relações sociais são um campo em que se tenta determinar limites para definir uma identidade do que é correto e está dentro da norma e o seu oposto que seria a diferença.
          Então, afirmar uma identidade e desmerecer o diferente está relacionado com a questão da disputa de poder, em que o grupo social que detém o poder, reforça o lado negativo dos fora da norma”, logo, podemos perceber que as lutas sociais são para estabelecer identidades. Por isso, podemos dizer que o poder de atribuir significados as coisas depende do lugar em que se ocupa no sistema de relações dos diversos grupos culturais.
            E, para finalizar, queremos que vocês reflitam mais um pouco sobre as questões de identidade e diferença depois de ler esse texto e de assistir ao vídeo da música Take me to Church”.



  
           Até a próxima!!!!



terça-feira, 20 de setembro de 2016

Isso é cultura?



Pablo Picasso
  
          Para responderem a essa pergunta, queremos que vocês considerem o conceito de cultura definido pelos professores universitários Mário Luiz Ferrari Nunes e Marcos Garcia Neira, como sendo “a manifestação de poder e das relações assimétricas que ela produz ”, desse modo, podemos dizer que é um campo de disputa dos significados/da representação simbólica, em que algum grupo ou sujeito detêm o poder de validar o que seria considerado cultura para uma sociedade, ou seja, quais seriam os padrões aceitos. Mas isso não quer dizer que isso não será contestado e é imutável.
              O que dissemos anteriormente pode ser exemplificado pelas imagens a seguir, que pegamos no Google Imagens. Sendo que a imagem à direita é um poema de Décio Pinhatari.



            

            Talvez o videoclipe da música Comida dos Titãs possa ajudar a responder ao título desta postagem. Então, vamos assistir?



 https://www.youtube.com/watch?v=W5TI7iLvHC4

                
                 Gostaram do videoclipe?
            Agora temos outras perguntas: Como a identidade de um indivíduo pode ser construída? Como seus comportamentos podem definir quem você será? A escola pode influenciar?
                 That's all folks. Até a próxima.


 

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Mapa das Práticas Corporais

          
           Vocês podem estar pensando que estamos loucos ao fazer um mapa urbano dessa maneira. Mas ao entender os conceitos de pedaço, mancha e trajeto descritos pelo professor de Antropologia José Guilherme Cantor Magnani, talvez isso se torne mais claro.
          Podemos descrever o pedaço como sendo o local em que uma pessoa se percebe pertencente a um grupo, isto é, podemos dizer que “esse pedaço é meu e ninguém pode invadir esse espaço sem a devida autorização dos membros”.
           A mancha teria seus limites menos definidos do que o pedaço e incluiria os espaços que não seriam utilizados com muita frequência pelo grupo. E o trajeto seria o deslocamento entre o pedaço e esses outros lugares menos visitados.
            Porém devemos lembrar que esses conceitos não são absolutos, ou seja, para que um espaço receba o carimbo de espaço, mancha ou trajeto; é necessário que estabeleça qual vai ser o ponto de referência.
             Por exemplo, ao observar a vida de estudante de graduação dos membros deste blog, podemos dizer que a FEF é nosso pedaço, mas seria a mancha das práticas corporais de D e o pedaço seria o Ginasinho. Um exemplo de trajeto seria o de T, que tem como pedaço a Companhia de Dança e seu trajeto, o deslocamento para o Teatro de Paulínia.
             Esperamos que tenham gostado desta postagem e até a próxima.